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19.02.10
Othelino me pediu propina, diz executivo
 
   

Depoimento de um executivo empresarial encaminhado à Justiça pela Polícia Civil do Maranhão acusa o ex-secretário do Meio Ambiente do governo Jackson Lago (PDT), Othelino Nova Alves Neto (foto), de pedir uma propina de R$ 700 mil para conceder licença de instalação a um complexo turístico no interior do estado. O fato teria ocorrido na segunda quinzena de outubro de 2008, algumas semanas depois da eleição municipal.

Othelino Neto, como é mais conhecido, disse ao executivo que o dinheiro seria usado para “ressarcir” despesas da campanha de João Castelo (PSDB) à Prefeitura de São Luís, segundo o depoimento. Dois meses depois desse suposto diálogo, Castelo nomeou Othelino para um dos cargos mais importantes do poder municipal, o de secretário de Governo, equivalente a chefe da Casa Civil na administração estadual.

O depoimento foi prestado no último dia 2 pelo engenheiro Antônio Lucena Júnior, aos delegados Edinaldo Silva dos Santos, Marco Antônio Ramos Fonseca, Regina de França Barros e Walter Wanderley Silva Ferreira, integrantes da Comissão de Investigação de Crimes contra o Erário Estadual. Lucena é diretor da empresa Pipes Pedra Caída, sediada em Carolina (MA), a 847 km de São Luís, e pertencente a Pedro Iran Pereira Espírito Santo, um dos homens mais ricos da região tocantina.

A Pipes precisou da Sema (Secretaria do Meio Ambiente) porque está construindo um “complexo turístico” numa área famosa pelas belas cachoeiras e por isso objeto de preocupação dos ambientalistas. Tentando “legalizar o empreendimento” ― que já estava em curso ― a empresa primeiro requereu a “licença prévia” (LP), que lhe foi dada em outubro de 2008, e logo em seguida a Licença de Instalação, na segunda quinzena do mesmo mês.

Mal deu entrada no segundo requerimento, Lucena recebeu telefonema de Abdelaziz Santos Júnior, o Aziz Jr, filho do ex-secretário de Planejamento de Jackson Lago. Identificando-se como assessor de Othelino, Aziz Jr marcou uma audiência com o secretário na sede da Sema. A conversa, conta o executivo, foi rápida e objetiva. Othelino aludiu à situação política estadual e lhe propôs colaborar com R$ 700 mil para o ressarcimento das despesas de campanha de João Castelo.

Explicou que “outros amigos” estavam participando da caixinha. Lucena diz que recusou peremptoriamente, fazendo com que o secretário se levantasse e deixasse a sala. A partir de então, o processo da Pipes nunca mais andou na Sema. Leia o depoimento aqui.
 
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