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sexta-feira, 20 de novembro de 2009 Ópera Prima: Aderson meteu dois filhos no desvio O primo-irmão e ex-chefe da Casa Civil do governador cassado Jackson Lago (PDT), Aderson Lago (PSDB), envolveu pelo menos dois de seus filhos no chamado escândalo Ópera Prima ― desvio de verbas da Saúde pública do Maranhão para contas bancárias ligadas a Aderson, durante a campanha eleitoral de 2006. Segundo atestam recentes investigações da Polícia Civil, parte do dinheiro foi parar na conta-corrente da firma Ópera Prima Produções Artísticas Ltda, sediada na Praia do Flamengo no 100, Rio de Janeiro, conforme já revelava o Blogue do Colunão em 16/4/2008. O titular de Ópera Prima é Aderson Lago Neto, filho do político tucano. Outra parte, R$ 84 mil, sabe-se agora, pousou na conta particular do advogado Rodrigo Lago, irmão de Adersinho, e outra ainda, um pagamento de R$ 30 mil, na do escritório Abdon Marinho Advogados Associados, localizado no bairro do São Francisco, em São Luís, do qual o mesmo Rodrigo é sócio. A utilização por Aderson Lago da própria família para maltratar o cofre público não é novidade. No começo do governo Jackson, revelou-se que ele conseguira nomear de uma só vez quatro “assessores parlamentares” na Assembleia, onde já tinha pendurado a esposa, Conceição Lago e uma afilhada, ambas funcionárias fantasmas. Um dos quatro era a mãe octogenária e titular de robusta pensão de viúva de procurador do Estado, que raramente sai de casa. Outro era o próprio Adersinho da Ópera Prima, residente no Rio. Milhões de motivos Conduzido pelo delegados Edinaldo Silva dos Santos, Marco Antônio Ramos Fonseca e Regina de França Barros, o inquérito policial confirma que Aderson Lago recebeu um “incentivo” de R$ 5 milhões para desistir da reeleição a deputado estadual e concorrer a governador na função de “laranja” do primo. Esse valor é referido desde o ano passado por correligionários e adversários do esquema Lago. Jackson, Aderson e Edson Vidigal (PSB) ― candidato em 2006 pela coligação PSB-PT-PCdoB, recém-ingresso no PSDB ― formaram em 2006 a chamada “cooperativa de candidatos”, concebida pelo então governador José Reinaldo (PSB). Os três trabalharam solidários para levar ao 2o turno a disputa com Roseana Sarney (PFL, hoje PMDB), que tentava voltar ao cargo. Jackson, ex-prefeito de São Luís, era o único candidato realmente competitivo. Vidigal, ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), atuava como “escada” de Jackson, embora até meados da campanha ainda acreditasse que poderia superar o ex-prefeito. Na função de laranja batedor, Aderson assumia o desgaste de adotar um estilo marcadamente agressivo e denuncista, menos interessado em conquistar eleitores que em favorecer a “desconstrução” da adversária. Vista no primeiro momento com desconfiança pelo PDT, a estratégia de Zé Reinaldo revelou-se eficaz e hoje não há mais quem discorde de que sem ela Roseana teria vencido no 1o turno, confirmando o favoritismo indicado nas pesquisas. No resultado oficial do 2o turno, Jackson somou 51.82% dos votos, contra 48.18% de Roseana. Uso exagerado A mobilização comandada por Zé Reinaldo dependia, no entanto, do uso intensivo e ostensivo de recursos públicos, especialmente da Saúde, mas também de outras fontes, mediante licitações forjadas e convênios com prefeituras e “entidades sociais” fantasmas ou previamente engajadas no esquema. Calcula-se que Zé Reinaldo gastou cerca de R$ 1 bilhão, em convênios e outras despesas, nos dois turnos da eleição. Esses abusos acabaram levando à cassação de Jackson pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), após ele haver exercido quase metade do mandato. Declarada eleita, Roseana foi empossada no cargo em 17/4/09. Para os correligionários do ex-governador, tudo não passou de um “golpe judiciário” urdido nos bastidores pelo ex-presidente José Sarney, pai de Roseana. Esquema de quadrilha O esquema peculatário montado em benefício de Aderson contou com a participação de prefeituras dirigidas por políticos do PDT de Jackson. Para conseguir os R$ 5 milhões destinados ao primo Aderson, narra um relatório preliminar da investigação policial, “a quadrilha arquitetou um esquema criminoso que consistia na simulação da venda de produtos farmacêuticos e hospitalares para as cidades de Caxias [Humberto Coutinho] e Mata Roma [Lauro Grachal], cujos prefeitos eram seus aliados políticos.” Em Caxias, Aderson e seu contador Annderson Rommel Rabelo Garreto indicaram uma firma individual do bairro do Maiobão, em Paço do Lumiar, municipío vizinho à capital, para vencer uma licitação forjada na prefeitura governada por Humberto Coutinho (PDT). Essa firma, a PR Cardoso, recebeu pelo menos R$ 1,170 milhão, na maior parte transferido para Aderson por diferentes caminhos. À medida que recebia a verba liberada pela municipalidade de Caxias ― pouco entregando dos medicamentos e equipamentos contratados ―, o dono da firma, Pedro Ramos Cardoso, procedia aos desembolsos em favor do candidato tucano. Ficava apenas com uma comissão de serviço. Cardoso confessou o crime à Polícia e até abriu mão de seu sigilo bancário para confirmar as informações. O extrato da conta-corrente da microempresa, analisado pelos delegados, elucida parcialmente os fatos, evidenciando que tudo funcionava sem muita sofisticação. Desfalque dia a dia Dia 7/7/06 ― A Prefeitura de Caxias credita R$ 315 mil na conta da PR Cardoso. No mesmo dia, PR Cardoso transfere R$ 115,750 mil para a conta de Via Center Comércio Ltda, pertencente a Celmo Luís Costa Ribeiro, “que também participou do esquema criminoso”, assinalam os encarregados do inquérito. Três dias depois, nova transferência, agora de R$ 50 mil, da PR Cardoso para a Via Center, totalizando R$ 165,750 mil. Dia 12/7/06 ― Saque de R$ 92 mil, na boca do caixa, da conta da PR Cardoso. O dinheiro é entregue a Celmo da Via Center e Annderson Rommel Rabelo Garreto, contador de Aderson Lago. Os dois confessaram à Polícia que repassaram o dinheiro a Aderson Lago. Celmo admitiu também que foi ele quem preencheu a maioria das notas fiscais frias emitidas pela PR Cardoso, segundo ele porque a caligrafia de Cardoso é muito ruim. Dia 31/8/06 ― Mais dois depósitos, de R$ 78,750 mil cada um, da Prefeitura de Caxias para a PR Cardoso. Dia 1/9/06 ― Nova transferência do erário de Caxias para a PR Cardoso, agora de R$ 372,176 mil. No mesmo dia, Cardoso transfere R$ 84 mil para a conta-corrente de Rodrigo Pires Ferreira Lago, mais conhecido como Rodrigo Lago, filho de Aderson. Ainda naquela data, Cardoso transfere R$ 50 mil para a conta-corrente da então prefeita de Luiz Domingues (MA), Creusa da Silva Braga Queiroz, aliada política de Aderson. Dia 4/9/06 ― Novo saque de R$ 200 mil na boca do caixa. O dinheiro sai da conta da PR Cardoso e logo depois é depositado na conta de Ópera Prima Produções Artísticas Ltda, empresa fluminense de Aderso Lago Neto, filho do ex-chefe da Casa Civil. Na mesma data, PR Cardoso põe R$ 30 mil na conta de Abdon Marinho Advogados Associados, firma da qual é sócio Rodrigo Lago. Dia 26/9/06 ― Caxias transfere R$ 177,447 mil para a PR Cardoso. Cardoso saca o dinheiro no caixa e na mesma data efetua dois depósitos: R$ 7,5 mil para a prefeitura de Luiz Domingues e R$ 40 mil para a Ópera Prima de Adersinho Lago. Dia 27/9/06 ― Mais R$ 149 mil, de Caxias para a PR Cardoso. O intermediário efetua dois saques no caixa, um de R$ 47,5 mil, outro de R$ 10 mil. Ainda não se sabe ao certo o que ele fez com esse dinheiro. Dia 28/9/06 ― Mais R$ 7,5 mil, de Caxias para a PR Cardoso. Saque de R$ 50 mil na boca do caixa, entregues por Cardoso a Celmo e Annderson. Dinheiro repassado a Aderson, segundo ambos confessaram à Polícia. Dia 29/9/06 ― Pedro Ramos Cardoso saca R$ 135 mil da conta-corrente da firma dele e deposita R$ 90 mil na da Ópera Prima. Dono do maior quinhão Conclusão dos delegados: “Conforme se percebe nos registros constantes do extrato bancário acima mencionado através da empresa PR Cardoso, a quadrilha criminosa movimentou, somente em sua conta-corrente (dessa empresa), a quantia de R$ 1 milhão, tendo em vista que, uma vez creditados os valores, o dinheiro era “pulverizado” para outras contas bancárias, com isso beneficiando todos os integrantes do grupo, sobretudo o senhor Aderson Lago, que, em 2006, ocupava o cargo de deputado estadual e foi quem disponibilizou os recursos (da Saúde) para Caxias e Mata Roma, através de suas emendas ao orçamento do Estado, e, por isso, ficou na posse do maior quinhão da partilha dos recursos subtraídos através desse esquema.” Mata Roma O “esquema criminoso comandado por Aderson Lago” atuou de maneira semelhante na prefeitura de Mata Roma, a 200 km de São Luís. Com desfalque ainda maior de recursos públicos, segundo o que foi apurado até agora. A execução do plano começou com a assinatura de convênio entre o Estado do Maranhão e a Prefeitura de Mata Roma, para alegado investimento na Saúde municipal. De início o Estado comprometeu-se a repassar ao município R$ 100 mil por mês durante 12 meses. Prorrogado por mais 12 meses, o convênio permitiu um desembolso de R$ 2,4 milhões, desviados por meio das firmas Espontânea Material Hospitalizar Ltda, Gráfica e Editora Escolar e Distribuidora GM. É significativo que, em outubro de 2006, dias antes da eleição, foram feitos três repasses de uma só vez, no valor de R$ 315 mil, os R$ 15 mil representando a contrapartida da prefeitura, de R$ 5 mil mensais. Os delegados apuraram que esse dinheiro foi rateado entre os integrantes da quadrilha, ficando a maior parte com Aderson Lago. Depoimento do então secretário de Saúde de Mata Roma, Gustavo Adriano de Matos Corrêa, esclarece parte da operação do bando. Dos R$ 100 mil mensais liberados pelo Estado, R$ 50 mil terminavam na conta da Espontânea, dos quais só R$ 20 mil correspondiam a material sanitário efetivamente fornecido ao município. Os outros R$ 30 mil eram entregues a Besaliel Freitas Albuquerque, ex-vereador e filho do prefeito Grachal, que repassava R$ 17 mil para Augusto Lago e Ermildo Barbosa, assessores de Aderson. A outra metade dos R$ 100 mil mensais era rateada entre a Gráfica e Editora Escolar, sediada em Chapadinha, e a GM Distribuidora. Sobre esta última não há detalhes no relatório preliminar. Raimundo Nonato Martins Brito, dono da Escolar, narrou à Polícia que recebia R$ 10 mil mensais, como pagamento por material gráfico que jamais forneceu. Ficava com uma pequena parte correspondente “aos impostos” e dava o resto ao filho do prefeito. Os encarregados do inquérito informam que “todos os envolvidos nesta cadeia criminosa estão sendo convocados para serem ouvidos nos autos, de modo que Humberto Coutinho e Aderson Lago serão os últimos que iremos ouvir”. Autodefesa Rodrigo Lago disse à Polícia que os R$ 84 mil que recebeu da PR Cardoso correspondem ao “ressarcimento” de despesa que ele havia efetuado em favor da campanha do pai. Sustenta que não sabia de onde provinha o dinheiro. Explicação semelhante tem o escritório Abdon Marinho e Associados para os R$ 30 mil. Estavam aguardando pagamento “de um cliente” (o próprio Aderson), o dinheiro caiu-lhes na conta sem declinar sua origem, e só vieram a cogitar de que algo pode estar errado quando a Polícia interessou-se pelo assunto. Emenda em causa própria Trechos do depoimento de Annderson Rommel Rabelo Garreto, contador de Aderson Lago: “Que, no ano de 2005, passou a trabalhar para o então deputado estadual Aderson Lago.... Que, em 2006, cada deputado da base do governo recebia em média R$ 1,5 milhão de emendas ao Orçamento Estadual, mas, como o senhor Aderson Lago resolveu não disputar a reeleição ára deputado e sim aceitar o convite do então governador José Reinaldo Tavares para ser candidato a governador, foi contemplado com um valor maior em suas emendas parlamentares. Que, no ano de 2006, Aderson Lago comunicou ao declarante que havia feito uma emenda ao Orçamento na Secretaria Estadual de Saúde, cujo objeto do convênio era o fornecimento de materiais hospitalares e medicamentos para a cidade de Caxias/MA, no valor de R$ 550 mil, sendo R$ 500 mil seriam originados de recursos do Estado e R$ 50 mil era a contrapartida do município. Que Aderson Lago infagou ao declarante se conhecia alguma empresa que pudesse participar da licitação, na condição de que os recursos fossem repassados para o próprio Aderson Lago, para gastos na campanha eleitoral, de maneira que ficaria com o dono da empresa um pequeno percentual relativo aos tributos estaduais e federais. Que o declarante então entendeu que se tratava de uma ordem direta do senhor Aderson Lago...”. Cadê o meu Do mesmo depoimento de Annderson Rommel: “Que a prefeitura de Caxias, na pessoa do prefeito Humberto Coutinho, exigiu de Aderson Lago que fosse, pelo menos, fornecido, dos R$ 550 mil do convênio, R$ 100 mil em mercadorias. Que Aderson Lago a princípio aceitou.... porém Aderson Lago mudou de idéia, e apenas determinou ao declarante que levasse R$ 20 mil em produtos.... Que Humberto Coutinho também exigiu de Aderson que lhe fosse devolvida a contrapartida de R$ 50 mil que caberia ao município. Que Aderson Lago fez objeção em devolver esse valor e por conta disso Humberto Coutinho disse que só depositaria na conta-corrente da empresa PR Cardoso os valores restantes das duas parcelas do convênio, R$ 125 mil cada, após receber os R$ 50 mil da contrapartida, e só então Aderson Lago concordou, sendo sacado nesta capital e entregue para Humberto Coutinho na cidade de Caxias/MA. Que os R$ 550 mil foram depositados na conta-corrente da empresa PR Cardoso foram transferidos para outras contas-correntes indicadas por Aderson Lago ou sacadas na boca do caixa e entregues para Aderson Lago ou para seu sobrinho e chefe de gabinete Augusto Lago. Que, dentre as contas-correntes beneficiadas com esses depósitos estão a empresa Ópera Prima, com sede no Rio de Janeiro, de propriedade de Aderson Lago Neto, filho de Aderson Lago, e do escritório Abdon Marinho, que tem como um dos sócios o advogado Rodrigo Lago, filho de Aderson Lago, e para a empresa do senhor Celmo, a Via Center....” Walter Rodrigues | 16:23 terça-feira, 17 de novembro de 2009 Meu bem, meus bens Tramita em segredo de justiça no foro de São Luís uma Ação de Dissolução de União Estável confrontando a ex-secretária de Saúde do governo Zé Reinaldo, professora nutricionista Suely Tonial, e o atual secretário de Direitos Humanos do governo Roseana Sarney, advogado Sérgio Tamer. De iniciativa dele, a ação evoluiu para discutir a quem pertence uma área de 170 m2 no quinto andar do edifício Cidade de São Luís, bairro do São Francisco, e se Tonial tem ou não tem direito a uma parte da casa e dos lotes havidos por Tamer no bairro do Araçagy, município de Ribamar. Em meio ao litígio, Tonial suscitou um “incidente de falsidade” relativo a documentos que o ex-companheiro fizera juntar aos autos. Laudo do polêmico perito Roberto Molina, da Unicamp, sustenta a alegação de fraude formulada pela professora. Mais recentemente, entretanto, o juiz José de Ribamar Castro decidiu em sentido contrário, confirmando o entendimento do Ministério Público. Em sentença de 24/9/09, Castro julga improcedente o pedido de declaração de falsidade material, com base nas “provas carreadas aos autos” e nas disposições pertinentes do Código de Processo Penal. A ação principal continua. Walter Rodrigues | 21:10 terça-feira, 17 de novembro de 2009 Castelo tem luz própria A notícia do iMirante de que Sarney e o prefeito João Castelo “voltaram a conversar” deve ser entendida assim: “voltaram a conversar” em público. Em privado, a última vez que estiveram seriamente rompidos ― até como inimigos ― deve ter sido quando Sarney exercia a Presidência da República. Houve uma circunstância, naquela época, em que se jogaram pedras tão pesadas, com a mão de terceiros, que até hoje doem. Só voltariam realmente às boas em 1998, quando Castelo, ingressando no PSDB, conformou-se à orientação nacional do partido e acatou a liderança de Roseana e do "compadre Sarney". Em 2002 estava de novo na oposição, da qual talvez só não tenha desertado porque o deputado Roberto Rocha fincou pé na resistência aos apelos discretos mas insistentes de Fernando Henrique Cardoso. Em 2004 Tadeu Palácio (PDT) reelegeu-se prefeito de São Luís no primeiro turno porque, na reta final, Roseana recusou-se a mobilizar sua base em favor de Castelo, mesmo diante da evidência de que o candidato sarneísta Ricardo Murad não tinha a menor chance de chegar lá. Mas Castelo, ao contrário da esquerda maranhense, tem luz própria. Ele é o lado dele. Pode estar com Sarney ou contra Sarney, com Jackson ou contra Jackson, que ninguém o confunde com seus aliados eventuais. Goste-se ou não do que ele pensa e faz, ele é o guia de sua própria cabeça. Uma cabeça de direita, certamente. Mas é a única que ele tem. Milagre Ultimamente Castelo tem operado o milagre de pôr a seu lado militantes da centro-esquerda aguada do PDT e até da esquerda petista e comunista. Coisa que parecia impossível nos anos anteriores, quando era o político maranhense mais indentificado com a repressão da ditadura militar (greve da meia passagem etc). O presidente do diretório municipal do PT, Domingos Dutra, defende abertamente a reedição em 2010 da aliança de 2006 com Castelo. Na eleição de 2008, a ala Dutra sabotou abertamente o candidato da coligação PT-PCdoB, Flávio Dino. Bateu aquele medo Castelo dissimula o quanto pode, mas está com medo de ser cassado por abuso de poder político e econômico na eleição de 2008. Aos receios dele, corresponde simetricamente um discreto otimismo entre os partidários de Flávio Dino (PCdoB), autor das ações contra o mandato de Castelo. Alguns dos quais consideram “golpe” a cassação de Jackson pelo TSE... Walter Rodrigues | 05:33 segunda-feira, 16 de novembro de 2009 Celso Veras hospitalizado Acometido de pancreatite e problemas digestivos, internou-se no Hospital das Clínicas, em São Paulo, o economista, professor da UFMA e assessor parlamentar Celso Veras. Opera-se na próxima segunda-feira (23) para remover uma obstrução que lhe causa dores e enfraquecimento geral. A hipótese de tumor está afastada, informou o corpo médico do hospital. Celso Veras é um dos melhores amigos deste jornalista, praticamente um irmão, ou até mais do que isso. Espero poder comemorar em breve sua pronta recuperação. Apesar de sua atual desilusão, que não compartilho mas compreendo, Celso tem longa história na esquerda do Maranhão. Foi militante clandestino da AP (Ação Popular), na época da Ditadura, atuou no velho MDB da resistência e foi um dos fundadores e primeiro presidente do PT do Maranhão. Hoje é assessor do deputado federal Gastão Vieira (PMDB), também egresso da oposição à ditadura. Walter Rodrigues | 18:50 domingo, 15 de novembro de 2009 Caetano nem de graça Do blogue de Ed.Wilson, neste sábado: “Hoje tem show do baiano Caetano Veloso em São Luís. Não iria nem se fosse gratuito. Há muito esse Veloso decepciona. Agora virou frasista de ocasião, montando palavras de efeito para impressionar. Agressivo e deselegante, ganha fama como palpiteiro destemperado da política. Órfão de ACM, vive o banzo dos bons tempos em que era odara. O bom artista é hoje um homem decadente”. WR ― Caetano é mais que órfão, é viúva de ACM. Certa vez declarou que o político baiano era “sexy”. Gosto desse tipo não se discute, mas suas recentes declarações sobre Lula (“analfabeto” etc) são de uma imbecilidade repugnante. É bom cantor e bom compositor, embora decadente ― quem foi ao show deve ter notado, até porque ele costuma ser melhor nos discos. Mas qualquer entrevista dele, mesmo quando apenas “teoriza” sobre tropicalismo e cultura brasileira, com aquele jeito meloso e autocondescendente, desafia a paciência de qualquer um. Gosta também de chamar atenção com frases de efeito sem nenhuma responsabilidade, ou alternando “personas” sexuais discrepantes, para confundir ou eletrizar os adolescentes e alguns mais velhos. “A Bahia é a maior agência de publicidade do mundo”, disse Millôr sobre velhos e novos baianos. Fez belas canções nos anos 60 e meados de 70 ― penso em Clarice, por exemplo ― mas desde então é melhor cantor que compositor, com apenas alguns espasmos de grande artista. Sua recriação de velhas canções é notável. PS - Caro Ed, quis botar o comentário no seu blogue, mas pedia senha. É exigência do Googlepost ou dá para simplificar? Walter Rodrigues | 06:08 domingo, 15 de novembro de 2009 Alcoa quer Lula em SLZ dia 27 Informa a prefeitura de São Luís que Lula pode vir ao Maranhão no próximo dia 27, para inaugurar a expansão da refinaria de bauxita do Consórcio Alumar, liderado pelas transnacionais Alcoa (EUA) e Billiton (Grã-Bretanha). Convite da própria Alcoa. O investimento de R$ 5 bilhões mais que duplica a produção de bauxita refinada (alumina), matéria prima do alumínio metálico, passando de 1,5 milhão para 3,5 milhões de toneladas anuais. Além da alumina, a Alumar também produz 450 mil toneladas anuais de alumínio. Lula fez poucas visitas ao Maranhão ao longo de seus quase sete anos de mandato. As mais recentes ocorreram em 2006, quando comandou comício de apoio à candidatura Roseana Sarney, e 2009, quando sobrevoou as áreas atingidas pela enchente das águas de abril. O presidente tem problemas no Maranhão. O diretório regional do PT é controlado por adversários da aliança nacional PMDB-PT, principal esteio do esquema político do governo petista. Alguns, inclusive o presidente do diretório regional, Domingos Dutra, defendem uma aliança local com o PSDB. Já o comando nacional petista favorece a coligação com o PMDB de Roseana Sarney. Força total A Alcoa tem apoio integral das principais correntes de poder no Maranhão. É festejada pelo PMDB de Roseana, pelo PDT do ex-governador Jackson Lago, pelo PSB do ex-governador José Reinaldo e pelo PSDB do prefeito de São Luís, João Castelo. Entretanto, sindicalistas e setores da esquerda, entre outros críticos, acusam a empresa de superexplorar sua mão de obra, causar poluição ambiental e funcionar como enclave exportador na economia local. João Castelo era governador 1984 quando a Alcoa se instalou em São Luís, desalojando milhares de famílias de hortifrutigranjerios do interior da ilha. Contra o advento do complexo de alumínio, surgiu na época um Comitê de Defesa da Ilha, dirigido pelo professor Nascimento Morais, já falecido. Walter Rodrigues | 05:39 sábado, 14 de novembro de 2009 Helena sobre o padre Eider A deputada Helena Heluy (PT), católica militante, registrou nos anais da Assembleia a morte de padre Eider Furtado da Silva, também anotada neste blogue. Classificou-o de “figura extraordinária no amor à terra, à igreja e à gente do Maranhão” e, numa linguagem teilhardiana de “construtor do reino [de Deus] aqui na Terra”. “Padre Eider marcou a história da Baixada, da igreja ” e do Maranhão”, afirmou. Segundo Helena, Eider dedicou-se a assistir o camponês, maioria da população do município, participando dos litígios fundiários e colaborando na criação dos primeiros sindicatos de trabalhadores rurais de Viana, Penalva, Cajari e Matinha. Por isso enfrentou pressões e ameaças do regime militar. Lembrou que a obstinação do sacerdote na luta social levou-o até a ser preso em Viana em 1980, “provavelmente por intervenção de seu próprio pastor, o bispo Dom Adalberto” (o delegado que o prendeu arbitrariamente era um pau-mandado do bispo). Dois anos depois, foi excomungado por Adalberto, sanção que somente em 1986 seria revogada. Helena afirmou que Eider "viveu a dimensão ética, social e política da fé, pugnando pela libertação do povo de Deus e como exemplo a todo o seu pastoreio dos valores da fé aliados à justiça e à paz." “A sua partida comove não apenas os cristãos, mas toda a população de Viana para quem Monsenhor Eider foi, como pastor, exemplo de coragem e misericórdia para acontecer o reino de Deus”, disse. “A Baixada inteira chorou, a Igreja inteira chorou, o Maranhão inteiro chorou”. Com informações da assessoria de imprensa da deputada Helena Heluy Imagens Já corrigi o problema que impedia o acesso a imagens do padre Eider. Clique. Walter Rodrigues | 19:47 sábado, 14 de novembro de 2009 Intenções de voto em Bacabal Quatro coisas devem ser ditas sobre a pesquisa de intenções de voto para governador em Bacabal, uma das 10 maiores cidades do Maranhão, a 265 km de São Luís, recém-divulgada no iMirante. O resultado foi, segundo o IOP (Instituto de Opinão Pública): Governador (pesquisa estimulada) Roseana (PMDB) – 79,51% Jackson (PDT) – 4,80% Flávio Dino (PC do B) – 2% Roberto Rocha – (PSDB) 1,90% Lobão (PMDB) – 0,80% Não sabe/não respondeu ¬– 11% Entretanto: 1) Pouca gente conhece esse IOP, cujo nome sugere a intenção de confundir os incautos, fazendo com que pensem no Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública). Se o iMirante quisesse uma pesquisa confiável, provavelmente teria buscado outra fonte. 3) Roseana, no momento, está com tudo em Bacabal. Estão com ela as três principais correntes políticas do município, a do vice-governador João Alberto (PMDB), a do prefeito Raimundo Lisboa (PMDB, ex-PDT) e a do ex-prefeito José Vieira (PR, ex-PP, ex-PSDB). Mas essa quase unanimidade é um tanto artificial. João Alberto é um político, digamos assim, “ideológico”, no sentido de que não muda de lado ou corrente ao sabor das circunstâcias. Pertence à facção sarneísta desde os anos 60 do século passado e nunca vacilou a esse respeito. Lisboa, eleito por Zé Vieira, abandonou o padrinho assim que se viu com a chave do cofre na mão; é o costume. Sendo bem tratado, deve ficar com Roseana na eleição. Pouco provável é que Zé Vieira, que já foi o mandachuva do lugar, mas hoje está sem condições de enfrentar a aliança municipal João Alberto-Lisboa, aceite o papel de recolhedor das migalhas. A lógica sugere que ele volte a ligar-se à vertente tucana da política local (deputado federal Roberto Rocha), onde tem raízes, formando com Jackson em 2010. Não provalmente no primeiro turno, mas pelo menos no segundo, se houver. 4) Jackson bater Roseana em Bacabal é praticamente impossível. Mas, seja a pesquisa verdadeira ou falsa, fiquem os três líderes com Roseana ou somente dois, custa crer que Jackson tenha menos de 5% dos votos bacabalenses no dia da eleição. Ate onde a vista alcança ― as últimas cinco eleições, num universo de 20 anos - nenhum candidato a governador chegou perto desses quase 80% em Bacabal. Walter Rodrigues | 05:41 sexta-feira, 13 de novembro de 2009 Imagens do padre Eider Fotos do padre Eider Furtado e imagens correlatas, no blogue de Luiz Morais,Vianensidades. Walter Rodrigues | 06:22 sexta-feira, 13 de novembro de 2009 Humberto de Caxias sob pressão Está em dificuldades um dos prefeitos mais influentes do Maranhão. Humberto Coutinho, de Caxias, a 368 km de São Luís, quarta maior cidade maranhense, sofre o duplo assédio de investigações criminais e de processos na Justiça Eleitoral que buscam lhe cassar o mandato. Das acusações criminais, a mais recente partiu do jornalista Cláudio Sabá, dono da Folha dos Cocais, que formalizou denúncia contra Carlos Alberto da Silva, dono da empresa Estação Gráfica, assessor da deputada Cleide Coutinho (PSB), esposa do prefeito, e detentor da conta de publicidade da administração municipal. Sabá reuniu documentos que provariam a clonagem de notas fiscais emitidas pela Estação Gráfica, tanto em benefício próprio quanto de terceiros. A suposta manobra, que visaria lesar o Fisco estadual, está sob investigação judicial, desde que o empresário resolveu processar o jornalista. A briga entre eles começou quando Sabá se sentiu prejudicado na distribuição das verbas publicitárias da prefeitura. Na Justiça Eleitoral, Coutinho responde à acusação de compra de votos, distribuição de bem público, contratação irregular de servidores, veiculação de propaganda proibida e distribuição de material de construção durante a campanha eleitoral de 2008, quando se reelegeu prefeito com grande vantagem sobre o segundo colocado. Algumas dessas “condutas vedadas” fizeram com que Coutinho tivesse o mandato cassado pelo juiz caxiense Antônio Manoel Veloso, mas houve recurso ao TRE e o caso permanece sub judice. Walter Rodrigues | 06:13 quinta-feira, 12 de novembro de 2009 O amante não deve nada ao traído A quarta turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu esta semana que o amante de mulher casada não deve indenização por danos morais ao marido dela. O litígio originou-se em Patos de Minas (MG), onde o amante foi condenado a pagar apenas R$ 3,5 mil ao traído. O STJ, entretanto, reformou a sentença. Para o ministro Luís Felipe Salomão, relator do recurso, o amante é estranho à relação jurídica da qual se origina o dever de fidelidade mencionado no artigo 1.566, inciso I, do Código Civil de 2002. “O casamento, se examinado tanto como uma instituição, quanto como contrato sui generis, somente produz efeitos em relação aos celebrantes e seus familiares; não beneficiando nem prejudicando terceiros”, destacou. (Resumido do saite noca.com.br). Não tem dono O país avança, civiliza-se. Questões que antes eram resolvidas na faca ou na bala caem agora sob exame dos tribunais. Até com alguns exageros. Não faz muito tempo, em Goiás, um homem denunciou o amigo por “atentado violento ao pudor”, eufemismo para coito anal, alegando que o outro se adonara dele quando estava bêbado. Nos autos ficou provado que o fato ocorreu quando participava de uma farra do tipo alcunhado pelo povo de “suruba”. Daí a conclusão implacável do TJ goiano: “Quem participa de sexo grupal já pode imaginar o que está por vir e não tem o direito de se indignar depois. Não pode dizer-se vítima de atentado violento ao pudor aquele que ao final da orgia viu-se alvo passivo de ato sexual”. Walter Rodrigues | 11:22 quarta-feira, 11 de novembro de 2009 Joaquim Haickel diz o que quer Mensagem do deputado Joaquim Haickel (PMDB), vice-líder do governo Roseana Sarney na Assembleia, imortal da Academia Maranhense de Letras e candidato recém-lançado a vaga de advogado (quinto constitucional) no Tribunal de Justiça. Trata de comentário de um primo dele (e da resposta do blogue) à matéria sobre “Violência nos Bancários”. Ponho-a aqui para facilitar a leitura e homenagear devidamente o deputado. "Gostaria de me dirigir primeiramente ao meu querido primo advogado Marco Aurélio Haikel, dizendo-lhe que não concordo com sua afirmação de que o jornalista Walter Rodrigues seria “mais um escriba do Sarneysismo”. Ele não é, e quem achar isso estará cometendo um erro absurdo. O Walter é um escriba livre, liberto, daqueles que alugam suas penas às nobres causas que seus intelectos, suas culturas, os seus egos, suas opiniões e seus desejos assim resolvam. É capaz de Walter acordar um dia e resolver escrever uma analise sobre o seu próprio trabalho e a sua própria vida e acabar sendo tão crítico, tão ácido, tão maldoso, tão debochado, tão irônico, tão verdadeiro, tão competente, tão visceral, tão escatológico, tão tudo que ele é, enquanto jornalista, com ele mesmo assim como ele faz com os outros temas e com as outras notícias. É assim que eu vejo o jornalista Walter Rodrigues. Agora gostaria de me dirigir ao meu querido amigo jornalista Walter Rodrigues, dizendo-lhe que não concordo com a forma deselegante que você tratou o meu primo Marco Aurélio Haikel. Meu pai nunca fez favor ao Marco colocando-o como assessor da ALM (Lembro-lhe que meu pai já faleceu há 16 anos e naquele tempo não havia nenhum impedimento legal para isso, mesmo porque o advogado Marco Aurélio sempre desempenhou a contento suas funções e ao contrario do que você disse não “se limitava a perambular sorridente pelos corredores”). Quanto a sua opinião sobre os “quibes e cia” que o Marco vendia, você não é a pessoa mais indicada para criticá-los com a competência necessária para tanto, pois você deve entender é de tacaca e tucupi, não é? Bem, para terminar, a opinião do Marco sobre o Sarneysismo do Walter é infundada, da mesma forma que a resposta do Walter para o comentário do Marco é desproporcional, bastava dizer que ele estava equivocado, que nada tem de Sarneysista. Mas se assim não fosse eu não poderia estar participando deste debate aqui com vocês, que eu espero que não se estenda e acabe por aqui. PS ¬– E Walter, não adianta vir pra cima de mim com seu estilo Gregório de Matos... Abraço.” WR ― Se eu “alugasse” minha pena, ainda que a uma “causa nobre”, acabaria como os que não podem reagir às humilhações dos que estão por cima. Lembra como abortaram no tapa aquele seu projeto sobre “gerências” e “secretarias”, pálido esboço de autonomia que eu em vão lhe incentivei? Ou como os que jamais reagiriam às impertinências de uma “pessoa influente”. Lembra do lamentável episódio naquela festa de aniversário? Se alugasse, meu bom julgador, escreveria Sarneísmo com S maiúsculo, assim reverente, ou até Jackismo também, dependendo das circunstâncias e das cotações. Como fazem os espertos e um pouco menos que libertos. Tampouco sou “escriba”, meu escrevinhador. Escribas são os que geraram veemente protesto da Civilização Brasileira, nos idos de Luiz Rocha, contra a qualidade “escatológica” de livros publicados pelo Estado com o selo daquela editora, contratado mediante convênio. Lembra? Eu li a carta dos editores. Está bem, acato sua opinião sobre o trabalho do primo na Assembleia Legislativa do Maranhão (ALMA). Até lhe concedo de bom grado que, funcionário fantasma que fosse, ainda estaria em coerência, senão com os costumes, pelo menos com a sigla da casa... Observo-lhe entretanto que ele já passou dos 18. De modo que não precisa de assistente nos autos. Mais abaixo, dê uma olhada, ele faz a própria defesa sem nenhum sinal de hipossuficiência. Tampouco era necessário o seu “atestado” de que eu não sou sarneísta. Primeiro porque somente um pateta irremediável seria capaz de dizer o contrário de boa fé. Segundo porque seu primo não tem nada contra a espécie, como prova a afeição que lhe devota. Terceiro porque o antissarneísmo dele, pelo menos na versão feroz, é recentíssimo. Começou quando o sogro assumiu a poderosa Secretaria de Planejamento e confiou-lhe uma, como eles dizem, “atividade-meio”. Tatacá e tucupi realmente não são sabores para o bico carcamano, mas de quibe todo mundo entende um pouco. Como você sabe, as grandes levas de imigrantes árabes desembarcaram há mais de um século em várias partes do Brasil, com seus sonhos, seus quibes e suas astúcias fiscais. Desde então aprendemos alguma coisa a respeito. Ademais, falei como apreciador, não como cozinheiro, e até lhes rendi as devidas homenagens. Só fiz a ressalva de que prefiro os paladares do Cozinha Árabe, aqui pertinho de casa, aos do vosso sugestivo Ali Babá. Fui mal (ou mau) nisso? Entendo que o parágrafo mais longo de sua mensagem significa isso: Walter Rodrigues é do contra. Acho essa crítica um tanto boba, mas tudo bem, pense aí como quiser e dê-se por feliz. Já pensou, meu poetastro, se todos fossem como os que têm a ciência de mamar em todos os governos? A boa Vaca já tinha morrido de anemia há muito tempo... Ia terminando quando notei que você, com as tradicionais habilidades que ninguém lhes nega, meteu de contrabando um “debochado”, no cofo de elogios como “crítico”, “verdadeiro” e “competente”. Debochado, eu? Como pode ser tão injusto e agressivo, assim sem mais nem menos? Deboche é dar título de cidadão maranhense a madame Renata Camargo, mesmo sabendo que a empresa dela aliviou nosso estado em centenas de milhões de reais, por conta de estradas de existência improvável. (Esse escândalo está na Justiça. Se porventura lhe fizerem desembargador, como deseja, não se esqueça de arguir sua própria suspeição, caso o processo lhe venha às mãos). Finalmente: de onde tirou que meu estilo é semelhante ao de Gregório de Matos? Estou perplexo. Sempre soube que a Academia Maranhense de Letras não é só para poetas. Mas supunha que um imortal pelo menos se obrigasse a lê-los... PS ― Siga seu próprio conselho. Não espiche a conversa. Diga apenas que eu estou equivocado e volte aos negócios. Você se sai muito melhor neles do que brigando comigo sem causa e sem razão. Walter Rodrigues | 14:03 quarta-feira, 11 de novembro de 2009 Fechar bar na periferia salva vidas Monografia divulgada pelo PNUD, programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, confirma o que tenho defendido aqui, em mais de uma oportunidade: a importância de fechar os bares logo depois da meia-noite, como instrumento de redução dos homicídios. Por mais que chiem donos dos bares e jornalistas, políticos e outros formadores de opinião desinformados. O que há de novo na monografia é que 1) sem fiscalização permanente do Ministério Público, da Polícia e da comunidade, a medida dura pouco; e 2) não é preciso fechar os bares em todos os bairros; basta fazê-lo naqueles que uma estatística atualizada mostrar que há incidência anormal de crimes de morte relacionadas com o consumo de álcool e ou ocorridos em determinados horários na proximidade dos bares. Simples, não? Mas é de uma eficácia tremenda. O estudo mostra que o fechamemento dos bares a 1 hora derrubou em 34% a taxa de homicídios nos bairros da periferia de São Paulo, entre 2004 e 2006. Os homicídios voltaram a crescer quando a fiscalização relaxou. Para mim não é novidade. Já havia lido coisa semelhante num artigo sobre a redução da criminidade em Nova York. Mais adiante, um especialista gaúcho em segurança pública deu uma palestra na Assembleia Legislativa do Maranhão detalhando essa e outras medidas inteligentes de polícia preventiva. Adiantou? Em tempo: esse tipo de crime tão comum em São Luís em que dois homens numa moto executam um terceiro, ou em que a vítima é sequestrada e aparece morta num matagal qualquer, esse não tem nada a ver com álcool e bares. Tem a ver com encomenda e suposta profilaxia social. Leia mais sobre a monografia paulista, aqui. Walter Rodrigues | 06:55 terça-feira, 10 de novembro de 2009 Morre o padre Eider, de Viana Morreu nesta segunda 9, em Viana (219 km de São Luís), aos 93, padre Eider Furtado, um dos mais queridos e respeitados sacerdotes do Maranhão. Saudade do tempo em que brigamos juntos contra as arbitrariedades do bispo Adalberto Paulo da Silva, ligado à repressão do regime militar. Quando o conheci, trabalhando como correspondente de O Estado de S.Paulo em São Luís no final dos anos 1970, publiquei uma reportagem sobre a “guerra” do bispo contra os padres e freiras esquerdistas de Viana. A maioria dos religiosos dissidentes pertencia ao Centro Eclesiástico para a América Latina, uma organização italiana fortemente inspirada nas teses sociais do Concílio Ecumênico Vaticano II (aquele do papa bom João XXIII). A reportagem me valeu ser chamado ao quartel do comando do 24o Batalhão de Caçadores, onde o chefe da 2a seção (segurança interna), capitão Dualibe ― há sempre um Dualibe ou Murad em toda parte no Maranhão ― tentou em vão obter que eu lhe abrisse minhas fontes. Antes o próprio bispo estivera em minha casa, com aqueles olhos de investigador e feiticeiro. Quando Duailibe me levou à presença do comandante do batalhão, coronel Darcy Dubrawá, o incidente encerrou-se de maneira até engraçada. Eu disse a ele, brincando, que não podia faltar ao compromisso de sigilo da fonte porque tinha sido escoteiro e feito aquele juramento de nunca mentir. Pensei que a brincadeira fora um erro quando o coronel me olhou ainda mais sério. Mas a resposta dele, apesar do tom seco, foi uma agradável surpresa, creio que para o capitão Dualibe também: ― Se é uma questão de ética, assunto encerrado. Desde então conheci muitos civis, de direita e de esquerda, que não fazem a menor idéia do que seja uma questão de ética. Adalberto conseguiu expulsar da diocese os estrangeiros insubmissos, usando a força do cargo e suas ligações com os chamados órgãos de segurança. Foi mais difícil com Eider, que continuou resistindo por muitos anos, quase sozinho. Eider professava o cristianismo renovado que lhe incutira o bispo Hélio Campos, antecessor de Adalberto, cuja devoção chegara a fazê-lo dormir numa delegacia em solidariedade a lavradores presos em conflito fundiário. O Vaticano, já então governado por Paulo VI, não gostou nenhum pouco de saber daquilo. Por último, usando de seus poderes discricionários, Adalberto excomungou o adversário, com Roma dizendo amém. Mas nada como um dia atrás de outro. De lambança em lambança, o bispo acabou enfiando os pés pelas mãos num episódio menor ― de “adultério” e pecados afins ― que tentou remediar enviando um questionário aos padres, na esperança de que desmentissem o boato. Só coneguiu divulgá-lo ainda mais, “assustando os cavalos da rua”, como disse uma atriz numa final do século 19. Aí o Vaticano zangou-se e resolveu bani-lo para Fortaleza, onde em 2004 aposentou-se como bispo auxiliar. Eider, ao contrário, foi reabilitado. Nos anos 90 devolveram-lhe as ordens e ainda teve a alegria de auxiliar o novo bispo, Xavier Gilles, no governo da diocese. Há muitos anos que não o via. Lembro-me dele, em Viana, com os sobrinhos Francisco Pinto, advogado, e Conceição, professora, falando mal de Adalberto com muito bom humor. Que pena que tenha ido. Walter Rodrigues | 01:19 segunda-feira, 9 de novembro de 2009 Senado não: Flávio quer ser governador Colho de entrevista do dirigente comunista Márcio Jerry (PCdoB-MA) ao blogue de Walter Sorentino: ― Jackson, cassado, volta a candidatar-se agora com apoio da oposição a Lula. Roseana assumiu mas não ostenta os índices históricos ― será candidata ou não? MJ – A Roseana se movimenta como candidata e só não será se lá adiante as pesquisas forem muito desfavoráveis. Mas ela tem muitos problemas: governo fragmentado e sem rumo; pouco tempo para obter resultados; crise nacional envolvendo o seu pai, senador Sarney; e o desgaste da longa hegemonia política exercida no Maranhão. ― Tudo parece clamar por uma terceira via, e o nome de Flávio Dino está bombando. Pesquisas parecem muito boas… MJ ― Temos repetido: Jackson caiu e ninguém chorou; Roseana assumiu e ninguém bateu palmas. Há um vazio, portanto; há um cansaço do esquema de disputa tradicional, bipolar. E existe um sentimento forte, atestado nas pesquisas, de renovação da política no Maranhão. Em suma, tem espaço para construir uma alternativa democrática e popular com Flávio Dino governador. ― O PT tem uma boa compreensão do que está em jogo ou está voltado para seus próprios objetivos? Está unido? MJ―O PT maranhense é muito conflagrado internamente. Está em processo de eleições, portanto voltado pra dentro. Mas temos diálogo com praticamente todos os setores do PT e boas perspectivas de aliança ano que vem. ― Buscar o senado seria uma via mais segura de acumulação? MJ ¬ Reflito o sentimento público: Flávio será governador do Estado, é questão de tempo. É preciso enxergar além da montanha. No curto prazo o Senado parece atraente, mas não responde a um certo clamor por uma liderança que una e dê forma ao sentimento de mudanças, ao desejo de uma alternativa ao fracasso histórico do grupo Sarney e à grande frustração com Jackson Lago. Bem, e o tempo precisa de ajuda… WR ― Excelente a provocação de Márcio Jerry: Jackson caiu e ninguém chorou; Roseana assumiu e ninguém bateu palma. Salvo, é claro, os diretamente interessados. Walter Rodrigues | 01:53 |
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